carpe diem
Por sugestão de uma garota "riquinha" (expressão açoriana para "jeitosa"), estou a ler o "Fazes-me Falta" da Inês Pedrosa. É um livro melancólico e nostálgico que me dá ainda mais vontade de aproveitar e viver. Eis algumas frases que me chamaram a atenção:
«Porque vivemos como se o tempo nos pertencesse infinitamente, como se pudéssemos repetir tudo de novo, como se pudéssemos alguma coisa?»
Fazem-vos lembrar alguém? Quantas vezes não sentimos um impulso e o reprimimos, porque achamos que não é adequado e há-de surgir uma melhor oportunidade? E se não surgir?
«A fé impede-nos de viver; põe todo o prazer no futuro.»
Esta chamou-me a atenção por ser mais agnóstica. Cada vez sinto menos "necessidade" da existência de um Deus. Sei que é algo discutível (não é tudo?) mas mesmo tendo estudado num colégio católico, andado na catequese e participado num grupo de jovens católicos, estou cada vez mais "descrente". Como se fosse preciso alguma "Instância Superior" que nos castigue postumamente por termos sido injustos em vida e nos faça levar uma vida digna. Acredito, isso sim, no respeito e solidariedade entre as pessoas, e é por isso unicamente que me guio, independentemente do Deus.
«Se ao menos eu tivesse escrito cada um dos nossos dias, anotado a sequência das nossas conversas, agarrado o tempo que nos foi roubado. Uma narrativa, uma ilusão de ordem que estancasse a fluidez insignificante da vida.»
Nostálgico como sou, dou-me muitas vezes a (tentar) relembrar de certos momentos passados com determinadas pessoas. As suas expressões, tiques, etc... Como seria bom por vezes voltar a viver esses episódios, como se rebobina uma cassete para rever um trecho. Remedeio a situação ao anotar pequenas frases numa agenda, de modo a mais tarde ser capaz de mentalmente reconstituir o que já não é.
Realmente, quão "insignificante" é a nossa vida... Que podemos fazer nestes anos efémeros da nossa mortal existência que possa perdurar depois de nós? A minha humilde resposta é que não vale a pena pensar nisso (e dizem-me, não sem razão, que penso muito. Até demais). Devemos lembrar o passado sim, mas não ficar agarrado a ele, não pôr todas as expectativas num futuro que pode não existir e VIVER o presente, que é a única coisa que realmente existe. Aproveitar todas as oportunidades. Enfim, carpe diem...
















