Terça-feira, Janeiro 17, 2006

carpe diem

Sim, esta expressão é tão batida, tão cliché, mas não deixa de ser menos verdade por isso.

Por sugestão de uma garota "riquinha" (expressão açoriana para "jeitosa"), estou a ler o "Fazes-me Falta" da Inês Pedrosa. É um livro melancólico e nostálgico que me dá ainda mais vontade de aproveitar e viver. Eis algumas frases que me chamaram a atenção:

«Porque vivemos como se o tempo nos pertencesse infinitamente, como se pudéssemos repetir tudo de novo, como se pudéssemos alguma coisa?»

Fazem-vos lembrar alguém? Quantas vezes não sentimos um impulso e o reprimimos, porque achamos que não é adequado e há-de surgir uma melhor oportunidade? E se não surgir?

«A fé impede-nos de viver; põe todo o prazer no futuro.»

Esta chamou-me a atenção por ser mais agnóstica. Cada vez sinto menos "necessidade" da existência de um Deus. Sei que é algo discutível (não é tudo?) mas mesmo tendo estudado num colégio católico, andado na catequese e participado num grupo de jovens católicos, estou cada vez mais "descrente". Como se fosse preciso alguma "Instância Superior" que nos castigue postumamente por termos sido injustos em vida e nos faça levar uma vida digna. Acredito, isso sim, no respeito e solidariedade entre as pessoas, e é por isso unicamente que me guio, independentemente do Deus.

«Se ao menos eu tivesse escrito cada um dos nossos dias, anotado a sequência das nossas conversas, agarrado o tempo que nos foi roubado. Uma narrativa, uma ilusão de ordem que estancasse a fluidez insignificante da vida.»

Nostálgico como sou, dou-me muitas vezes a (tentar) relembrar de certos momentos passados com determinadas pessoas. As suas expressões, tiques, etc... Como seria bom por vezes voltar a viver esses episódios, como se rebobina uma cassete para rever um trecho. Remedeio a situação ao anotar pequenas frases numa agenda, de modo a mais tarde ser capaz de mentalmente reconstituir o que já não é.

Realmente, quão "insignificante" é a nossa vida... Que podemos fazer nestes anos efémeros da nossa mortal existência que possa perdurar depois de nós? A minha humilde resposta é que não vale a pena pensar nisso (e dizem-me, não sem razão, que penso muito. Até demais). Devemos lembrar o passado sim, mas não ficar agarrado a ele, não pôr todas as expectativas num futuro que pode não existir e VIVER o presente, que é a única coisa que realmente existe. Aproveitar todas as oportunidades. Enfim, carpe diem...

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Um sonho de Maria

Eu tive um sonho, José.
Não o entendi muito bem, mas parece que era a respeito da celebração dos anos do nosso filho. Eu penso que era a respeito disso.

As pessoas andavam há seis semanas a preparar esta festa. Tinham decorado e iluminado a casa e comprado roupas novas. Entraram muitas vezes nas lojas para fazer compras e compraram presentes muito bonitos. Mas, era curioso notar que esses presentes não eram para o nosso filho.

Embrulharam esses presentes em papel muito bonito, amarraram-os com fitas de várias cores e colocaram-os debaixo de uma árbore. Sim, uma árvore José, dentro da sua própria casa.

A árvora também estava enfeitada. Os ramos estavam cheios de bolinhas luminosas e decorações brilhantes. Havia ama figura no ponto mais alto da árvore. Parecia a figura de um anjo. Oh! Era tão bonito. Toda a gente se ria e se mostrava feliz. Todos entusiasmados com os presentes.

Deram os presentes uns aos outros, José. Não os deram ao nosso filho que fazia anos. Deu-me a impressão, que as pessoas nem sequer o conheciam, pois nem mencionavam o nome dele. Não é estranho que as pessoas tenham tanto trabalho para celebrar os anos de uma pessoa que nem sequer conhecem?

Tive mesmo a sensação que se o nosso filho aparecesse nesta festa seria um intruso e de certeza que não seria bem recebido.

Tudo estava tão bonito José e toda a gente estava tão contente, mas... deu-me tanta vontade de chorar. Que tristeza para o nosso filho Jesus, não ser desejado nem sequer na festa dos seus anos.

Sinto-me contente por ter sido apenas um sonho.

Que terrível, José, se isto tivesse sido verdade!

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

pensamento do dia

Se o porco tem quatro pernas, de onde virá o fiambre de perna extra?

Terça-feira, Novembro 22, 2005

Amor útil vs. amor puro

Aqui está um texto que me chegou num dos muitos emails de funstuff que recebo. Achei que este valia a pena ser partilhado.

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma
coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue
pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for
incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de
clareza. Serei muito claro.
Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O
que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se
apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já
ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma
questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali
mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz
sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por
causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as
pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem
planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser
passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se,
discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante
psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser
desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão
prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de
verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do
amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor
verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões,
farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos,
tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto
largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de
telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem",
tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,
borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem
fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que
é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo
tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma
ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha
nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada
da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania
contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde
quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada,
abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da
pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O
nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para
nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de
azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao
céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é
uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é
uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não
é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.Tem tanto a
ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é
para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não
sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por
isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se
invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é
mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o
coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito
difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos
escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá
quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se
lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar
e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,
viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se
pode ceder.
Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a
Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida
inteira. E valê-la também.


Elogio ao Amor Puro
Miguel Esteves Cardoso

Sábado, Outubro 01, 2005

E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.

Miguel Sousa Tavares

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

outro ciclo que se fecha

Finalmente, após dois anos de trabalho (mas não só...;) eis que entrego a tese de mestrado. Uma versão provisória é certo, mas 96% do esforço já está feito. Junte-se mais 2% para limar as últimas arestas na escrita, outros 2% para a apresentação e mais 200 aéreos (ah pois, os tais "emolumentos"). Resultado: mais um mestre em electrónica. Uau.

Qual o assunto da famosa tese, perguntam vocês? Em redes neuronais, respondo eu. Ahh! exclamam vocês. "Hmm, que bem...", pensam para dentro, "o que será? para que servirá?". Posso adivinhar as vossas interrogações e podia explicar melhor mas, sinceramente, já não quero ouvir falar mais em redes neuronais tão cedo! :P

Parece que este mês foi pródigo em mudanças. É mais um ciclo que se fecha, são mais umas portas que se abrem.

E agora?

Domingo, Setembro 25, 2005

e pronto...

...acabou-se. Terminou. Finito. Kaput.

Às vezes é bom quando acaba: uma aula chata, uma espera aborrecida, um derby quando a nossa equipa está a ganhar. outras vezes é mau: a última colher do óptimo gelado, as pilhas da lanterna quando mais precisamos, ou -- noutra magnitude é certo -- o prazer, segurança e entrega de uma relação mais íntima.

Olhando para trás, não consigo deixar de sentir nostalgia pelos bons momentos e pena por tanta coisa ficar por fazer. Pergunto-me como seria noutras circunstâncias. Mas fico contente por ter essas recordações e não ter simplesmente passado ao lado. Como se diz, o que não nos mata, torna-nos mais fortes. E eu cresci, bastante. Resta-nos a amizade, que parece sempre mais simples e resistente que o resto. Resta-me desejar boa viagem e as maiores felicidades.

Acho curioso olhar para trás e pensar em todas as circunstâncias que tornaram possível encontrar as pessoas de quem mais gostamos. Lembram-se como encontraram aquele grande amigo ou amiga? E se não tivessemos avançado ou estado naquele momento nesse lugar? Quantas relações não chegam a ser relação por o destino não querer. Por isso acho que devemos apostar e nunca perder aquelas que o destino nos trás. E posso dizer que, apesar de tudo, só me arrependo de não ter apostado noutras ocasiões. Porque são as pessoas que trazem o sal e pimenta à nossa vida e nos fazem sentir vivos.


(E porque raio estarei a ouvir coldplay? Não haverá nada mais alegre em tantos GBs de MP3s...)

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

gadget (2)

Já que estou numa de teclados virtuais, que tal este?



Não é bem a mesma coisa que um piano acústico ou mesmo um teclado electrónico (devido à resposta das teclas, qualidade dos sons, falta de pedais, etc.) mas tem uma enorme (ou melhor, levíssima) vantagem: transporta-se numa pequena bolsa com menos de 1 kg. O sonho de qualquer pianista para poder levar para férias e treinar em qualquer lado.

Vi no catálogo da VISA mas rapidamente se encontram mais no "catálogo" do Google. E mais baratos. Desde cerca de 50 aéreos.

E a seguir? LCDs flexíveis? Carros dobráveis? Desde que simplifique a nossa vida...

Quarta-feira, Setembro 14, 2005

gadget

Já não é a primeira vez que vejo esta ideia, mas parece que agora é mais do que isso, uma ideia. É bem real e funcional.



Trata-se de um teclado virtual, que é projectado numa superfície plana (normalmente uma mesa mas se gostarem de escrever no chão também deve funcionar...). Um sensor de infravermelhos detecta onde é que carregamos. E pelos vistos, reconhece bem.

Esqueçam alguns daqueles teclados dobráveis ou de borracha. Imaginem quando os telemóveis e PDAs vierem com isto de série. Ganhamos nós e ganham os operadores de telemóvel, quando se passarem a escrever SMSs mais longas.

Ainda bem que há gente idiota para se lembrar disto e malta prática que os construa.

Mais info em: http://www.virtual-laser-keyboard.com/

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

simples, hein?

"Estes portanto são os messalianos, a quem há quem chame estratiotas e fibionitas, e outros barbelitas, compostos de naassenos e femionitas. Mas para outros pais da Igreja os barbelitas eram gnósticos tardios, e portanto dualistas, adoravam a Grande Mãe Barbelo, e os seus iniciados chamavam borborianos aos ilícios, ou seja aos filhos da matéria, diferentes dos psíquicos, que já eram melhores, e dos pneumáticos que eram precisamente os eleitos, o Rotary Club de toda esta história. Mas talvez os estratiotas fossem só os ilícios dos mitraístas."

in "O pêndulo de Foucault", Umberto Eco, 1988

Terça-feira, Setembro 06, 2005

"A superstição dá azar"

(Raymond Smullyan, 5000 B.C., 1.3.8)

Domingo, Setembro 04, 2005

the ultimate question

A meu ver, a questão universal não é de onde viemos, porque existimos ou como aparecemos mas sim o que querem as mulheres.

Acho que quando compreender isso, a teoria da unificação relativizada do cosmos exterior vai parecer brincadeira de crianças...

Mas aqui para nós (que ninguém nos ouve), quer-me parecer que, no fundo, nem elas sabem. E esqueçam a ideia do cavaleiro-romântico-que-salva-a-princesa-da-torre, também não é por aí. E daí, talvez seja. Afinal, o que percebo eu?

Sábado, Setembro 03, 2005

avante, camarada!

Antes que façam algum juízo acerca da minha cor política -- e estão à vontade para se matarem a pensar nisso -- deixem-me dizer que, antes de tudo, não vejo cores na política. Para mim é tudo um buraco negro.

Salvo raras excepções, não vejo que bons frutos nos tenha trazido a política, especialmente nos ultimos anos. Sei que muitos discordam de mim e posso parecer um pouco extremista, mas é, curto-e-grosso, o que penso dessa "ciência" obscura cheia de interesses satélites que são todos menos os do país.

Posto isto, decidi ir ontem, pela primeira vez, à festa do avante. (O que somos capazes de fazer pelo amor...)
Não me arrependo, foi até interessante.

E afinal, e sem querer especular, qual seria a percentagem de camaradas do partido no meio daquela multidão (tirando os dedicados voluntários que trabalham noite e dia)? Mais, de todos os visitantes, quantos votaram nas últimas eleições? Isto para dizer que a festa do avante, é muito mais do que uma festa política. É cultura e claro, convívio!

Avante, camaradas!

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

assuntos de m*rd*...

Serei só eu, ou já se perguntaram porque é que só há urinóis em casas de banho públicas e não em casas?
Sinceramente, não percebo. Parece que em casa se troca o urinol pelo bidé, e nas dabliú-cês públicas vice-versa.

E nem estou a pedir um urinol como este:



E que tal esta retrete? Bem mais sugestiva que as branco-frigorífico, para aqueles "apressados"...

Domingo, Julho 24, 2005

jazz em agosto

Afinal, parece que em férias até vou actualizar o "blogue" mais frequentemente...pelo menos, vou aproveitar para divulgar o festival de jazz da Gulbenkian.

Pode não haver mais bailado, mas a fundação Gulbenkian tem sido enorme no apoio à cultura e ciência. E que refrescante é aquele espaço ajardinado, tal um óasis em plena cidade.

Tal como desde 1984, este ano vai continuar a promover o festival de jazz de verão, de 5 a 13 de Agosto.



Encontrei a publicidade num daqueles postais gratuitos e acredito que deve ser interessante. Inclui concertos ao ar-livre bem como cobertos, desde artistas a solo até big-bands. Os preços, de 10 a 15 "oiros", é que podiam ser mais baratos, mas também não são caros.

Mais detalhes, incluindo a programação, podem ser consultados no site http://www.camjap.gulbenkian.pt/

Fica a sugestão...

Quinta-feira, Julho 21, 2005

Fechado pra férias!

Sei que não escrevo há muito, e agora com as férias a "meterem-se" no caminho ainda deverá ser pior...ou não.

De qualquer modo, queria só partilhar esta música que encontrei há dias, de um grupo que desconhecia, os hooverphonic.

Dêem um pulinho ao site destes belgas e oiçam os excertos. Em especial uma música que se dá pelo nome de "Mad About You" do albúm "The Magnificent Tree".

Outra prova de como um trio pode fazer músicas excelentes, a começar pela voz quente mas arrepiante da Geike Arnaert.

Tenham um Verão escaldante ;)

Quarta-feira, Junho 08, 2005

mourazul

Aproveito esta oportunidade para divulgar o novo blog da minha querida amiga Pipa, a.k.a. "Moura Azul".

Tem sobretudo fotos e descrições das suas originais criações, bem como as insignificativamente importantes crónicas do dia-a-dia.

Fica feita a promoção ;)

Domingo, Maio 29, 2005

não sei

Certezas ambíguas, os não-sei,
Pode ser, logo se vê,
Se calhar ou talvez.
Indefinições só dão confusões

De quem tudo quer nada
sabe ao menos o que quer
Se não sei para onde ir
como saberei o que seguir

Eu não sei quão realmente me afectas
Eu só sei que contigo sou eu
Eu não sei o que sinto
Eu só sei que não te quero magoar

É verdade que não damos valor ao que temos
é preciso faltar para o vermos
Magoamos quem mais gostamos
afastamos de quem nos aproximamos

És única e especial
tão diferente mas familiar
E se me amas e me estimas
porque ainda claudicarei?

Sinto-me mal, sinto-me mau
porque a alegria e vida
entristeci e matei
tanto por acção como omissão

Que pode separar a amizade do amor
se for um uma forma do outro,
tal H e O numa gota de água,
se a soma das partes não dá o todo

Casamentos, uniões,
namoros e noivados
Amizade incolor
ou afeição colorida
Inconcebíveis conceitos
Simplesmente complicando
Delinearmente misturando

Eu não sabia quão realmente me afectavas
Eu não sabia o que sentia

Pois não senti mas apenas vi
O que sem ti vejo que vivi

Porquê pensar e não agir
Reflectir e deixar fugir
Quando o pensamento bloqueia
a acção que se anseia

Há compromissos que o coração diz
e a lógica contradiz
Não virei à esquerda nem à direita
fui em frente e terminou.

Sexta-feira, Maio 27, 2005

A vida é bela!

Não, não se trata do filme de Roberto Benigni (por sinal uma película que gostei bastante).

Trata-se de uma ideia de negócio que é simplesmente vender várias actividades, quer a empresas quer a particulares. E antes que pensem mais qualquer coisa, não tenho nada que ver com esses tipos (infelizmente) :P

Simplesmente acho que têm propostas interessantes, para todos os gostos e bolsas. Desde simples passeios a pé, jantares mais ou menos extravagantes, viagens exóticas, viagens de avião, balão ou parapente, cursos de wind, kite ou plain surf, corridas de carros, até...viagens de space shuttle!

Dêem uma olhadela.

Afinal, porque não fazer uma extravagância de vez em quando?
Como diz um anúncio, "porque você merece".

Segunda-feira, Maio 23, 2005

Euro Pimbalhada

Por falar em festival da canção, decorreu neste sábado a finalíssima, com 24 países a concorrer, entre os quais já não se encontrava o dueto português, que foi eliminada na 5ª feira.



E ainda bem! É bom sinal. Devia ser boa demais para aquele "espectáculo".

É que das músicas que (ou)vi só à de Malta se podia dar esse nome: música.
Tudo o resto pareceu-me pimbalhada avant-garde barata em playback.
Muitos tambores, mini-saias (ao menos isso ;)), misturas de música "popular" com "rock" como água e azeite. Enfim, uma tristeza... só não chorei porque a maior parte me davam para rir. O "maya hiii, maya hoo" seria um (justo) campeão ali.

Mas Campeão só há um!!! ;)
(isso fica para segundas núpcias)

Sexta-feira, Maio 20, 2005

saindo directamente do baú

Provavelmente o nome de Carlos Paião não dirá muito ao pessoal mais novo - onde eu me incluo :)
No entanto, este licenciado em medicina trouxe algo novo à música portuguesa, e teria dado ainda mais não fosse a sua trágica morte em Agosto de 1988 num dos muitos acidentes de viação que ocorrem neste país.



Escreveu mais de 500 canções, para vários interpretes. E quem não se lembra da famosa música "Em playback", que foi ao Festival da Canção (tendo ficado em penúltimo lugar, mas os critérios do festival são mais do que musicais).
Aliás, ouvindo a fantástica "Pó de Arroz" dá-me vontade de rir da letra, ao mesmo tempo que a sua voz me arrepia. Tenho mesmo curiosidade em saber como seria a música portuguesa se a sua carreira não tivesse sido tão curta.
Aqui fica então a letra da "Pó de Arroz" (já se dizia "ir nas cenas" nessa altura? :D):


Pó-de-arroz
Na face das pequenas
Será beleza apenas
Só uma corzinha

Sim, pó-de-arroz (Pó, ahaa)
Rosa é, mulher o pôs
E um homem vai nas cenas
Eva e Adão outra vez

É como enfeitar um embrulho
Arroz com gorgulho talvez

[REFRÃO]
Pó-de-arroz
Do teu arrozal
Esse pó que é fatal
És a tal que me encanta
Com pó-de-arroz
Não faz nenhum mal
É de arroz integral
Infernal quando chegas
Com todo o teu arroz
Todo o teu arroz

Pó-de-arroz
Tens hoje só p'ra mim
Pós de pirlim-pim-pim
E és um arroz-doce

Sim, pode ser
Um canto de sereia
Serei a tua teia
E tu serás o meu algoz

Mas quando te vais alindar
Alindada vens dar-me o arroz

[REFRÃO]


E termina num truque mesmo à Festival da Canção que é repetir o refrão um tom acima. :P

Terça-feira, Maio 10, 2005

já não é novidade mas...

You're nobody 'till somebody loves you
You're nobody 'till somebody cares

You may be king
You may possess the world and its gold
But gold won't bring you happiness when you're growing old

The world still is the same
You'll never change it
As sure as the stars shine above

You're nobody 'till somebody loves you
So find yourself somebody to love

(...)

Jamie Cullum in "You're nobody 'till somebody loves you"

Sexta-feira, Abril 29, 2005

é o fim da picada

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração


"Águas de Março", Tom Jobim / Elis Regina

Domingo, Abril 24, 2005

jazz 4 everyone

Quase um ano depois de mostrar o seu "twenty something" na FNAC, eis que Jamie Cullum volta a Portugal, desta vez para um concerto no Freeport Alcochete.


Jamie Cullum na Fnac, dia 25 de Abril de 2004

Este rapaz (25 anos) que cresceu a ouvir estilos diferentes como pop, rock e drum'n'bass está a conseguir levar o jazz (se é que ainda lhe podemos chamar isso) até novas audiências, um pouco como Norah Jones fez do outro lado no Atlântico.
Começou por tocar covers -- excelente a sua versão da "High and Dry" dos Radiohead -- mas tem agora um bom leque de músicas, desde músicas mais calmas a outras com frases em "walking bass" que não saiem da cabeça (Twenty Something, p.ex.).

Eu sei que sou suspeito, mas foi um concerto espectacular com o inglês a mostrar toda a sua pujança e "rebeldia". Estavamos ainda na primeira música quando o teclado do Yamaha sofria pontapés, mas o japonês aguentou a carga e serviu ainda, e literalmente, de palco para um Jamie energético.


A posição preferida de Mr. Cullum :D (foto tirada do site http://www.jamiecullum.com/, de outro gig, porque o meu telefone é mesmo para telefonar, não para tirar fotos :P)

As frases da voz de Jamie, bem como as improvisações "à lá jazz", misturadas com uma contagiante alteração de ritmos, quase a roçar bossa nova, mesmo dentro da mesma música lembraram-me porque gosto de jazz! E mostram como apenas três músicos (piano/voz, contrabaixo e bateria) são suficientes para transmitir as ideias.

Houve ainda tempo para ver Mr. Cullum a tocar bateria (primeiro de uma forma algo linear depois, já desinibido, até a impor bons ritmos e breaks) e o baterista a tocar piano(!). E se esse último até arrancava alguns acordes do Yamaha quando decidiu cantar levou ao rubro o recinto com a sua voz desafinada mas cheia de fulgor (talvez algumas cervejas a mais? :D)

Junte-se a isto uma boa companhia e temos um serão para mais tarde recordar, graças aos convites de uma amiga a quem não podia deixar de agradecer.

Quem não viu, não desespere. Em Julho volta ao nosso país,
mas com a fama do rapaz a crescer, já não será gratuito, digo eu. Mas ele merece...

Terça-feira, Abril 19, 2005

e cada vez dá mais gosto ser português

Segunda-feira, Abril 11, 2005

assim até dá gosto ser português



Beijinhos Ivana

Quinta-feira, Março 31, 2005

Kocquetéle Explosivo

A estreia nos grandes palcos da banda revelação que vai ser editada em breve na Groove Elation. Imperativo! Very very nice! A pedido do Paulo Muiños, e pelo vosso próprio bem, leiam o press release, curtam o cartaz, passem a toda a malta que puderem e não faltem pela vossa saúde.

Senhoras e senhores, meninos e meninas, Produções Banana, Groove Elation Records e Santiago Alquimista orgulham-se de apresentar a maior invenção musical desde a bola de Rugby, nada mais nada menos que: LOS CUBOS! Tcharaaaaaan!!
Fugindo à quadradice imperante no nosso panorama musical, e rejeitando a banal designação de “world music” - que é como o indígena da Rua dos Fanqueiros define tudo o que não é fado, LOS CUBOS redefinem o conceito também banal de “lufada de ar fresco” juntando-lhe umas dezenas de graus Farenheit e batucada q.b. dando à luz um som de características festivo-tropicais que El Observador Habanero descreveu como «ritmos calientes».
Apesar de se chamarem LOS CUBOS, de tocarem «ritmos calientes», e de serem citados pelo Habanero, rejeitam o rótulo de “banda de salsa” pela simples razão de fazerem uma música mais abrangente que os seus camaradas cubanos – chegando mesmo a infiltrar-se na onda Nuyorica, com um cheiro misto de Ipanema e de arraial minhoto!
Não esquecer que a maior parte dos alfacinhas não sabe o que é um arraial minhoto, muito menos Salsa – sobretudo depois dessa explosão aberrante que dá pelo nome de latin mix. De Ipanema conhecem vagamente uma garota de sovacos perfumados, e nunca ouviram os nomes August Darnell ou Funkapolitan, chegando mesmo a pensar que Nuyorica é um jogo japonês sucessor do Tamagoshi.
Enfim: eis LOS CUBOS envoltos no ambiente de mistério que gera todos os mitos e apaixona multidões. Pela descrição da Polícia Judiciária, estamos perante perigosos agitadores de plateias, que finalmente vão ser apanhados em flagrante por quem se queira divertir à grande e goste de música verdadeiramente nova. A judite aconselha os interessados a comparecer no Teatro Santiago Alquimista no dia 1 Abril, com roupas de festa, próprias para dançar ritmos calientes! Viva a folia!

LOS CUBOS são: José Pais: flauta, voz - Vasco Diogo: baixo – Carlos ninja): guitarra - Daniel Ramos (pilas): teclado - Luís Melo: congas, saxofone - Nuno Melo: percussão - Nuno Almeida: bateria



CAFÉ TEATRO SANTIAGO ALQUIMISTA – RUA DE SANTIAGO - AO CASTELO
BILHETES: 5 EUROS
RESERVAS DE MESAS: TEL. 218 820 259 santiago_alquimista@sapo.pt
MAIS INFORMAÇÕES: PRODUÇÕES BANANA banana@enapa2000.com www.banana.com.pt
Groove Elation Records: groove.elation@sapo.pt


Terça-feira, Março 15, 2005

Se até um urso de pelúcia sabe...

...porque não vemos que as coisas mais simples são muitas vezes as mais belas?

Quinta-feira, Março 03, 2005

Há alturas assim...

Terça-feira, Março 01, 2005

Strip Sprint

Hoje na natação fez-se 4x50mts crowl, com salto, o mais depressa que se conseguisse. Perguntaram o que ganhavam os mais rápidos.
Ainda com essa ideia na cabeça, e num dos muitos pensamentos que me surgem enquanto se nada esses metros, apeteceu-me chamar à modalidade "Strip Sprint", i.e., o último a chegar tirava uma peça de roupa. Mas o último a despir-se, perdia.
Tornava a estafeta bem mais interessante, não? :D
Mas ainda bem que não disse nada, isto são daquelas coisas que devem ficar para nós...:P